sexta-feira, 21 de junho de 2013

Gonzaguinha - Eterno Aprendiz

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
Mas e a vida
Ela é maravida
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida e viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

AS MULTIDÕES DE JUNHO DE 2013 DIANTE DA BIFURCAÇÃO

do +Augusto de Franco  via +Normann Kallmus 

No grande swarming do dia 17 de junho de 2013 (o 17J em São Paulo, no Rio de Janeiro e em várias capitais e outras cidades do país) a violência praticada por grupos isolados (desencadeada, talvez, por agentes infiltrados, provocadores, bandidos e manifestantes imbuídos de espírito adversarial mesmo), foi lateral, pontual, pouco significativa.

Um dia antes (16 de junho) publiquei um longo texto sobre o tema, intitulado GUERRA OU PAZ?, em que chamava a atenção para esse risco da instrumentalização das manifestações por grupos que costumam adotar a tática de provocar o confronto. 

Não foi isso, entretanto, que ocorreu, nem no 17J, nem nos dias seguintes (18 e 19 de junho). A movimentação se espalhou por todo o país e, na maioria dos casos, houve violência praticada por pequenos grupos isolados e indivíduos fora de sintonia com a imensa maioria dos participantes. Em geral foram grupos e indivíduos que tentaram invadir prédios de governos e do legislativo ou que tentaram furar os bloqueios erigidos pela polícia. Esses grupos e indivíduos atuam quando as manifestações já estão no fim, em alguns casos fazendo saques, depredando e ateando fogo em viaturas, lojas comerciais, agências bancárias e, até, bancas de jornais. A maioria dos manifestantes nem presencia as cenas de violência e só fica sabendo depois, pela televisão. Em alguns casos, porém, houve conflito entre os que queriam manter o caráter pacífico das manifestações e alguns meliantes. Em São Paulo foi notável o esforço de alguns manifestantes para impedir a depredação da sede da prefeitura.

É claro que tudo isso é péssimo: tanto a violência em si, quanto a sua repercussão. Tenho afirmado que a ocupação pacífica e a festa - e não a luta rancorosa - é que podem quebrar o script da Matrix. Um comentário do Nilton Lessa a um post com esse conteúdo que publiquei ontem (19/06) no Facebook, diz tudo: "Nada seria mais revolucionário, subversivo e perturbador para o mundo hierárquico. Festejar e não lutar; conviver e não combater; mover-se e não estagnar; viver-e-morrer e não eternizar".

Cada pessoa que interage nesse grande processo social convulsivo em que estamos imersos pode ajudar a coibir a violência. Ela não será totalmente evitada, por certo, mas pode novamente voltar a ser apenas incidental, fortuita, lateral, pontual. Além de carregar cartazes e gritar, com perdão do termo, a "palavra-de-ordem" SEM VIOLÊNCIA, ajudaria muito, a meu ver, ocupar pacificamente determinados espaços públicos e fazer festas.

Ocupar espaços públicos (por exemplo, uma praça ou várias praças) é mais condizente com a natureza das manifestações do que organizar passeatas. A ocupação pode ensejar mais facilmente a auto-organização e a autorregulação dos conflitos. A passeata tem itinerário e logo aparecem pessoas e grupos querendo dirigir "a massa" para algum lugar (por exemplo, para os portões de algum palácio).

Felizmente esses aprendizes de condutores de rebanhos não têm se dado muito bem. Uma prova disso é que as passeatas em geral se bifurcam e as pessoas não obedecem muito aos que querem mandá-las seguir por determinados caminhos, às vezes até usando megafones. De qualquer modo, passeatas pressupõem sempre algum tipo de condução, de acordo prévio sobre o itinerário com a polícia. Mas aí vem o problema: quem fará tal acordo em nome de todos, considerando que as multidões que têm se reunido não estão sendo convocadas de modo centralizado nem estão subordinadas a alguma direção?

O inovador dessa movimentação incrível (e inédita) que estamos vivendo no Brasil é que ela não tem organização top down, não tem direção, foi convocada de modo distribuído P2P e com a utilização de midias interativas. Ou seja, a despeito dos sinceros esforços dos que querem convocá-los e orientá-los, os eventos estão sendo organizados pelos próprios participantes, pessoalmente ou clusterizados em múltiplos grupos que não podem ser representados por ninguém. 

O grupo que lançou o movimento pelo Passe Livre não representa a movimentação que está em curso no país, nem mesmo em São Paulo. Aliás, não existe um movimento, existem várias movimentações sintonizadas, que se sinergizam mutuamente. Essas multidões - atenção: não massas - que se aglomeram e enxameiam em todo o país não são representadas pelo movimento do Passe Livre, nem por qualquer comitê, coordenação, direção de algum movimento hierárquico. O que está ocorrendo é mais a manifestação de uma fenomenologia da interação em mundos sociais altamente conectados do que uma dinâmica participativa assembleísta que possa ser administrada e conduzida por estruturas centralizadas por meio de seus agentes (dirigentes e militantes).

Estamos diante de um fenômeno de rede. Mas parece que a ficha ainda não caiu na cabeça daquela parte da militância que tem a tara de organizar os outros e conduzi-los para algum lugar. Uma prova disso é a ansiedade para ter um foco, um pauta de reivindicações, um programa definido para negociar com os governos... Se continuar assim não tardará a surgir algum esperto propondo a criação de uma nova organização, de um comitê nacional, de comitês estaduais, de comitês municipais, e até de um novo partido (com a maior boa intenção do mundo, é claro, para não desacumular, para não desperdiçar o imenso potencial que foi despertado). 

Por tudo isso penso que estamos diante, neste exato momento, de uma bifurcação importante. Não tenho a menor ansiedade ou preocupação com a continuidade do que alguns chamam de "o movimento" e que, na verdade, são múltiplas manifestações: elas foram, são e serão o que serão. O que foi feito (não me refiro propriamente à redução do preço das passagens) já foi feito (e modificou a sociedade na sua intimidade, em profundidade maior do que podemos agora alcançar). O que será feito, será feito e acontecerá o que poderá acontecer, ao sabor dos ventos, no imprevisível fluxo interativo percorrendo múltiplos caminhos. As redes distribuídas não são instrumentos para realizar a mudança: elas já são a mudança!

O que me preocupa é a eventual criação de barreiras, filtros, armadilhas de fluxos (como o são as organizações hierárquicas) que tentem bloquear ou condicionar a livre interação: por exemplo, iniciativas que tentem erigir comitês, realizar eleições para escolher representantes, reunir assembléias para aprovar pautas, plataformas, programas e adotar modos de regulação que criem artificialmente escassez, introduzindo as inevitáveis disputas de tendências e luta de facções et coetera. Se tomarmos o ramo da bifurcação que leva a isso, começaremos a viagem de volta para algum lugar do passado.

Se tomarmos o outro ramo da bifurcação, porém, confiando na rede e nos abandonando ao fluxo interativo, continuaremos antecipando futuro no presente. Não há nada melhor do que isso. E para isso, nada melhor do que ocupar pacificamente os espaços públicos e festejar. A festa, o riso, a alegria, desarmam os hard feelings, convertem inimizade em amizade política, configuram ambientes favoráveis à colaboração (e não à competição) e questionam profundamente os esquemas de poder que estão na raiz dos males que levaram às multidões às ruas.

Se as pessoas se põem a dançar e cantar, muitos milagres podem acontecer. Até mesmo governos podem cair - mas isso está longe de ser o mais importante. Só é muito importante para quem sonha em entrar em governos. O potencial desse gigante que começou a acordar é muito maior do que isso. De que adianta entrar em governos se não se muda o velho sistema, ou seja, se se mantém o velho padrão de relação Estado-sociedade? Em pouco tempo os novos ocupantes estarão reproduzindo o mesmo comportamento que hoje condenam nos velhos atores...

O que está em jogo, neste momento, no Brasil e em vários lugares do mundo, é uma mudança mais profunda: uma verdadeira reinvenção da política ou uma nova invenção (a terceira) da democracia.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Por que Alberto Arruda?



Por que +Alberto Arruda ?

Muitos tem idéias e ideais, mas poucos conseguem por em prática. Transformar projetos em ações. O Professor Alberto Arruda, em conjunto com outros colaboradores, conseguiu tornar realidade a pós-graduação em Física na UFMT, colocando o estado de Mato Grosso na vanguarda científica nacional. Grandes nomes do cenário da física brasileira reconhecem seu trabalho através da exposição de nossas produções por meio de promoção de eventos regionais e nacionais, publicações de grande impacto e apresentações em simpósios, palestras e encontros. Além disso, o Mestrado em Física capacitou vários estudantes para fazerem doutorado em importantes instituições e hoje estes outrora alunos são colegas cujo o trabalho cientifico é notoriamente reconhecido.

Mas chegou o momento de decolar !

Para tanto, faz-se necessário abrir novas portas. Através da direção do Instituto de Física da UFMT, Alberto Arruda poderá consolidar e dar maior apoio e prioridade aos programas de pós-graduação que integram o IF. Por meio da contratação de professores, melhoria nas instalações (salas de aula, laboratório, sala de professores, auditórios, suporte técnico...), fortalecimento e racionalização da estrutura pedagógica, incentivo a divulgação científica, apoio a pesquisa, entre outras prioridades, Alberto Arruda, em conjunto com todos os membros docentes, discentes e técnicos integrantes da Instituição, pretende dar o * "Big Leap" *, o grande salto para definitivamente firmar a Física Mato-grossense como grande produtor de conhecimento científico e tecnológico.

Por tudo isso, peço seu apoio nesta segunda-feira, em nome do professor+Alberto Arruda !

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Microscópio consegue registrar ligações individuais entre átomos


Microscópio consegue registrar ligações individuais entre átomos

    Imagem feita pelo microscópio mostra molécula de nanografeno com ligações carbono-carbono de diferentes distâncias e ordem. A molécula foi sintetizada no CNRS

Pesquisadores da IBM Research, em Zurique, da Universidade de Santiago de Compostela e do Centro Nacional de Pesquisas (CNRS, francês), em Toulouse, afirmam ter conseguido usar um microscópio para registar uma imagem tão detalhada de uma molécula que mostra o comprimento e a ordem das ligações entre os átomos. O estudo, divulgado hoje, ilustra a capa daScience, da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) de sexta-feira.
Em 1981, Gerd Binnig e Heinrich Rohrer inventaram na IBM Research (em Zurique) o microscópio de corrente de tunelamento, que permitia aos cientistas registrar e manipular átomos. Em 1986 eles levaram o Nobel pelo feito e, no mesmo ano, Binnig apresentou o sucessor da máquina - o microscópio de força atômica (AFM, na sigla em inglês), que foi usado no estudo divulgado hoje.
Não é a primeira vez que se registra a ligação química em um microscópio. Contudo, o registro do comprimento e da ordem (o número de ligações entre cada átomo - uma, duas ou três) pode levar a um avanço na criação de nanomateriais. "Nós podemos estudar essas ligações em um nível de moléculas individuais e ligações individuais agora. Isso é emocionante. Nós temos agora que ver que importantes resultados nós vamos obter com esta técnica", diz ao Terra Leo Gross, da IBM Research, um dos autores da pesquisa.
O mecanismo usa uma única molécula de monóxido de carbono (CO) na ponta de uma espécie de agulha. O CO reage à força repulsiva de outras partículas e mexe a agulha, que registra essa força com precisão. A tecnologia já é bem conhecida e usada, afirma o pesquisador. "Um AFM vai de US$ 100, feito por conta própria, a até cerca de US$ 1 milhão. Nossa máquina é feita principalmente por nós mesmos, mas similares custam na casa de meio milhão de dólares", diz Gross.
Em nota, a IBM explica que na nova pesquisa os cientistas descobriram dois mecanismos para registrar cada ligação individualmente. Primeiro, eles encontraram pequenas diferenças na força medida acima das ligações. Segundo, as ligações apareciam com diferentes ondas nas medições do microscópio. Os cientistas descobriram que as oscilações medidas eram causadas por inclinações da molécula de CO e usaram isso para deixar mais detalhado o registro.
Em uma pesquisa de 2009, o time já havia conseguido fazer a imagem das ligações entre os átomos de uma molécula, mas com bem menos precisão que as atuais. O problema eram perturbações causadas no registro. Para chegar a um detalhamento maior, os cientistas tiveram que escolher e sintetizar moléculas nas quais eles podem "tirar" essas perturbações.
Os pesquisadores analisaram as ligações entre carbono de moléculas de grafeno C60 (fulereno) e de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH). As moléculas são parecidas, mas suas ligações químicas se diferem levemente em comprimento e força - essas diferenças resultam em todas as importantes características químicas, eletrônicas e ópticas dessas substâncias.
"Isso (o registro individual de ligações entre átomos) pode aumentar nosso conhecimento básico no nível de moléculas individuais, o que é importante para a pesquisa de novos equipamentos eletrônicos, células solares orgânicas e diodos orgânicos emissores de luz (oleds). Em particular, o relaxamento entre ligações ao redor de imperfeições do grafeno, assim como mudanças nas ligações em reações químicas e em estados excitados podem potencialmente ser estudados", diz Chris Sciacca, porta-voz da IBM Research.
Contudo, a empresa não acredita que os resultados práticos serão vistos em breve no nosso dia a dia. "Esta é uma pesquisa muito fundamental e levará muitos anos para que possamos ver algumas inovações desse trabalho no mercado", diz Chris Sciacca, porta-voz da IBM Research.

domingo, 29 de julho de 2012

Aristóteles e Higgs: uma parábola etérea

marcelo gleiser

 

29/07/2012 - 05h03
Aristóteles e Higgs: uma parábola etérea

 

Aristóteles e Peter Higgs entram num bar. Higgs, como sempre, pede o seu uísque de puro malte. Aristóteles, fiel às suas raízes, fica com um copo de vinho.

"Então, ouvi dizer que finalmente encontraram," diz Aristóteles, animado.

"É, demorou, mas parece que sim," responde Higgs, todo sorridente. "Você acha que 40 anos é muito tempo? Eu esperei 23 séculos!" "Como é?", pergunta Higgs, atônito. "Você não acha que..."

"Claro que acho!", corta Aristóteles. "Você chama de campo, eu de éter. No final dá no mesmo, não?"

"De jeito nenhum!", responde Higgs, furioso. "O seu éter é inventado. Eu calculei, entende? Fiz previsões concretas."

"Vocês cientistas e suas previsões...", diz Aristóteles. "Basta ter imaginação e um bom olho. Você não acha que o meu éter é uma excelente explicação para o que ocorre nos céus?"

"Talvez tenha sido há 2.000 anos. Mas tudo mudou após Galileu e Kepler", diz Higgs.

Aristóteles olha para Higgs com desprezo. "Você está se referindo a esse 'método' de vocês, certo?"

"O método científico, para ser preciso", responde Higgs, orgulhoso. "É a noção de que uma hipótese precisa ser validada por experimentos para que seja aceita como explicação significativa de como funciona o mundo."

"Significativa? A minha filosofia foi muito mais significativa para mais gente e por muito mais tempo do que sua ciência e o seu método."

"É verdade, Aristóteles, suas ideias inspiraram muita gente por muitos séculos. Mas ser significativo não significa estar correto."

"E como você sabe o que é certo ou errado?", rebate Aristóteles. "O que você acha que está certo hoje pode ser considerado errado amanhã."

"Tem razão, a ciência não é infalível. Mas é o melhor método que temos para aprender como o mundo funciona", responde Higgs.

"Nos meus tempos bastava ser convincente", reflete Aristóteles com nostalgia. "Se tinha um bom argumento e sabia defendê-lo, dava tudo certo", continuou.

"As pessoas acreditavam em você, mas não era fácil. A competição era intensa!" "Posso imaginar", responde Higgs.

"Ainda é difícil. A diferença é que argumentos não são suficientes. Ideias têm que ser testadas. Por isso a descoberta do bóson de Higgs é tão importante."

"É, pode ser. Mas no fundo é só um outro éter", provoca Aristóteles.

"Um éter bem diferente do seu", responde Higgs. "E por quê?", pergunta Aristóteles. "Pra começar, o campo de Higgs interage com a matéria comum. O seu éter não interage com nada."

"Claro que não! Era perfeito e eterno", diz Aristóteles.

"Nada é eterno", rebate Higgs.

"Pelo seu método, a menos que você tenha um experimento que dure uma eternidade, é impossível provar isso!" afirma Aristóteles.

"Touché, você me pegou", admite Higgs. "Não podemos saber tudo." "Exato", diz Aristóteles. "E é aí que fica divertido, quando a certeza acaba."

"Parabéns pela descoberta do seu éter", diz Aristóteles.

"Existem muitos tipos de éter", afirma Higgs. "E muitos tipos de bósons de Higgs", retruca Aristóteles.

"É, vamos ter que continuar a busca." "E o que há de melhor?", completa Aristóteles, tomando um gole.

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). É vencedor de dois prêmios Jabuti e autor, mais recentemente, de "Criação Imperfeita". Escreve aos domingos na versão impressa de "Ciência".

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Editorial: O advento de Higgs

Da Folha em 05/07/2012

"A Partícula de Deus" é um bom título de livro, já empregado pelo físico e Nobel Leon Lederman para apresentar o bóson de Higgs. A referência mística, porém, só faz apequenar a descoberta anunciada ontem pelo Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear).

A confirmação da existência dessa partícula fundamental constitui um triunfo da ciência. Vale dizer, da faculdade humana de explicar o mundo apenas com observações da realidade, formulação de teorias e testes empíricos, sem apoio necessário em crenças e valores.

A teoria por trás do bóson de Higgs é o Modelo Padrão. Ele estipula um conjunto de 16 partículas, 12 delas componentes da matéria (férmions, como o elétron) e quatro portadoras de forças (bósons, como o fóton, partícula da luz).

O desenvolvimento e a corroboração do modelo ocuparam a física por ao menos meio século, com enorme sucesso. Todas as partículas previstas acabaram detectadas.
O Modelo Padrão, contudo, enfrentava problemas. Sua matemática não conseguia explicar como as partículas poderiam ter massa, coisa que se sabia possuírem. Teoricamente, viajariam todas pelo éter à velocidade da luz, imponderáveis como o lume de estrelas.

Faltava algo. Entraram em cena seis físicos -entre eles Peter Higgs, que daria nome à partícula- de três grupos de pesquisa na Escócia, nos EUA e na Bélgica.

O sexteto lançou em 1964 a hipótese de um Universo embebido em uma quinta variedade de bóson. Seriam partículas invisíveis com o poder de dotar as outras de massa, como um líquido viscoso a dificultar seus movimentos.

A detecção do bóson de Higgs dependia, porém, de imensos aceleradores de partículas, como o LHC do Cern. Essas máquinas poderosas promovem trilhões de colisões entre pedaços de átomos, na expectativa de que a análise dos estilhaços permita garimpar pepitas como a de Higgs.

Os pesquisadores do Cern se dizem convencidos de que encontraram o elo faltante -ou, pelo menos, "um" bóson de Higgs. Pode haver outros, caso em que o modelo pediria nova reforma. Assim, aos poucos, avança a ciência humana.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Redes sociais. Ainda há mais por vir.

Ok. Estamos vivendo uma era social. Todos compartilhado ideias e sentimentos. Será que estamos chegando ao ápice desta onda? Acho que a tecnologia pode levar o atual desenvolvimento da chamada "web 2.0" a um novo nível.

Vamos imaginar o seguinte cenário. Em um futuro próximo teremos câmeras anexa em nossas roupas, ou óculos se preferirem. Nossos smartphones terão sistemas de geolocalização ativos e assim, imediatamente pessoas próximas fisicamente a voce poderão saber, por exemplo, suas atividades naquele momento.

Se voce está ouvindo uma música ou vídeo e alguém perto curte o estilo, ela vai curtir voce. Imagina isso. Esteja no metrô e de repente ouvindo aquela música que só você acha legal, mas perto da sua localização uma pequena galera, uma tribo, tem uma afinidade inesperada. Ou lendo uma notícia ou visitando um site, outras pessoas possam ver está atividade, achar o conteúdo interessante e num piscar de olhos, tornar-se um formador de opinião das massas.

E as câmeras? Sim, começamos este assunto falando sobre elas. As pessoas transmitindo áudio e vídeo em tempo real, uma novela do seu eu 24 horas. Informações sobre clima, trânsito, eventos. Tudo absolutamente. Reconstrução de lugares virtualmente através das imagens captadas por centena de milhões de olhos.

Entrar numa loja e saber o que os clientes estão comentando... Ou talvez nem entrar, dependendo da recepção virtual. Uma festa flashmob a qualquer momento, bastando aquele clima local pintar com quem estiver por perto. Nossos comportamento, costumes, sociedade. Tudo muda. Tudo.

Só quero estar preparado pra isso!!!