terça-feira, 14 de novembro de 2017

Platonismo não-escrito

Platonismo não-escrito


ALBERTO ALONZO MUÑOZ

Em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/7/12/caderno_especial/20.html

Sabe-se que a doutrina de Platão não se limitava ao exposto publicamente nos "Diálogos": ao lado destes havia as "doutrinas não-escritas", reservadas aos discípulos e transmitidas pela via oral. Qual o conteúdo e a relação dessas doutrinas com as expostas nos diálogos? Essa é a questão que G. Reale pretende responder.
O tema das doutrinas não-escritas representou com frequência uma dificuldade para os intérpretes de Platão. Os testemunhos antigos sempre deram maior importância às teses dos ensinamentos orais, deixando em segundo plano as doutrinas dos "Diálogos". Na maioria das vezes em que Aristóteles, por exemplo, se refere a Platão, não analisa os "Diálogos", mas seus ensinamentos não-escritos. Mas é o próprio Platão quem, paradoxalmente, afirma no "Fedro" e na "Carta 7" que o meio ideal para a transmissão da parte mais importante de sua doutrina é o ensino oral e que a escrita é um meio imperfeito de comunicação se comparado à oralidade que serve apenas para recordar a memória dos que já sabem o que ali está escrito.
Era indubitável que Platão se empenhara na divulgação oral de uma parte importante de sua doutrina. Mas os poucos materiais que permitiriam a reconstrução dessa parte esotérica de seu pensamento desestimulou a maioria dos comentadores deste século, que preferiram concentrar os esforços na análise dos "Diálogos". O mérito de Reale está em chamar a atenção para essas evidências, a fim de buscar reconstruir assim um sistema platônico novo e mais amplo.
A tentativa é ousada e bastante arriscada. Reale, contudo, está convencido de que é revolucionária para os estudos platônicos e, na primeira parte do livro, dedicará um bom número de páginas para caracterizá-la como "um novo paradigma na interpretação de Platão", proposto pela escola platônica de Tubingen, na qual se apóia.
Segundo Reale, a Antiguidade nunca deixou de dar importância aos testemunhos referentes às doutrinas não-escritas: Aristóteles primeiramente, mas também os filósofos médio e neoplatônicos as levaram em consideração nas suas reconstruções do platonismo. É apenas no século 19, com Schleiermacher, que o pensamento platônico passa a ser visto como inteiramente contido nos "Diálogos". Esse "antigo paradigma" se debateria com a "anomalia" dos célebres textos em que Platão indica que não vê com bons olhos a transmissão, pela via escrita, da parte mais importante de sua doutrina. Essa anomalia era acrescida pelos relatos de seus discípulos acerca do conteúdo dos ensinamentos orais que não repetiam simplesmente os "Diálogos", mas acrescentavam informações que ofereciam um quadro bem diverso. Alguns preferiram recusar tais testemunhos, considerando-os como incorreções ou deturpações, principalmente os provenientes de Aristóteles. Preço que Reale considera, provavelmente com razão, alto demais para ser pago.
A estratégia será, então, não apenas levar em consideração a contribuição desses testemunhos para a construção da teoria platônica, mas considerá-los como o núcleo da teoria. A segunda parte procurará descrever a estrutura metafísica deste "novo" sistema platônico, agora com a inclusão, numa posição central, dos elementos extraídos das doutrinas não-escritas. Para os que estão habituados com o "paradigma tradicional", o novo é surpreendente. Trata-se de um Platão muito mais próximo dos médio-platônicos, em que a doutrina das Formas é coroada por dois princípios -o Uno e a Díade- que produzem, por sua interação, todos os níveis metafísicos da realidade.
Para este Platão excessivamente metafísico, o Uno é, segundo Reale, o "princípio de determinação". Por participação nele, os objetos (inclusive as Formas) ganham uma definição e um contorno precisos e não deverá surpreender-nos que Reale afirme que Platão identifica, agora, o Uno e o Bem, e que ambos estejam acima da Idéia do Ser. Por sua vez, a Díade, segundo princípio supremo ao lado do Uno, representa o "princípio de indeterminação" e do Mal, ganhando ambos os princípios conotações éticas. É a matéria sobre a qual o Uno irá agir, dando uma forma determinada e um contorno preciso e, assim, originando todos os demais constituintes da realidade.
Essa doutrina dos primeiros princípios passará por dois testes textuais. Reale escolhe algumas dificuldades clássicas de interpretação da doutrina platônica dos "Diálogos" e tenta abordá-las a partir dos resultados que conseguiu. Trata-se, a meu ver, da parte mais insatisfatória do livro, na qual o autor escolhe alguns diálogos e tenta solucionar os problemas que neles encontra, recorrendo a analogias bem vagas entre as afirmações de Platão e as características, sempre muito genéricas, dos princípios primeiros de sua protologia. O leitor que se persuadir das teses de Reale poderá entretanto defender o livro, afirmando que agora, após a articulação das "bases do novo paradigma", caberá à pesquisa sobre Platão resolver esses "quebra-cabeças", cuja via de solução ele apenas pretendia esboçar. Seja como for, os comentários de Reale nesta parte, genéricos, confusos e excessivamente sumários, deixam bastante a desejar.
A última parte expõe o segundo teste de sua interpretação e enfrenta, agora com resultados bem mais animadores, a questão do papel do Demiurgo na construção do cosmo e sua relação com o Uno e a Díade. Reale centra o foco de análise nas passagens em que Platão expõe a ação do Demiurgo como sendo a daquele que introduz a "definição do Uno" na "indefinição da Díade". Como há evidências de que Platão considerava o Demiurgo como produtor tanto do mundo das Idéias quanto do mundo sensível, Reale recorrerá a uma "matéria das Idéias", análoga à matéria do mundo sensível, que o Demiurgo será encarregado de elaborar e que, mais uma vez, representa a Díade ou princípio de indeterminação. O Uno e a Díade agora entrecruzam-se, gerando toda a arquitetônica do mundo sensível e do mundo inteligível, pelas mãos do Demiurgo que os cria.
O leitor especialista certamente sairá insatisfeito e decepcionado com muitos aspectos do livro. O Platão de Reale é excessivamente metafísico, marcado por sua leitura de discípulo assumido da Escola Platônica de Tubingen, de modo que é bem magro o espaço atribuído à epistemologia, à teoria do significado, à ética ou à política, tal como a discussão bibliográfica de tudo o que não esteja em alemão ou italiano. Por outro lado, os princípios da Díade e do Uno ganham no livro um colorido tão vasto e tão pouco preciso que passam a servir para tudo -da fundamentação e criação das Formas à organização do mundo sensível. A idéia de recorrer a T. Kuhn e chamar sua interpretação de "novo paradigma" é sem dúvida exagerada, sobretudo se lembrarmos de que pelo menos desde o livro de Findlay ("Plato: The Written and Non-Written Doctrines", 1974) se vem insistindo em que as doutrinas não-escritas merecem maior cuidado do que o que lhes foi tradicionalmente destinado.
Pode parecer, pelo que eu disse, que o livro não vale a pena. Engano completo. Trata-se de uma obra séria e importante que merece ser lida com cuidado e, sobretudo, debatida. Como lembra o prof. Vaz no prefácio, o livro de Reale tem o mérito de haver conseguido colocar em primeiro plano as doutrinas não-escritas, ao lado da doutrina dos "Diálogos". É, aliás, muito louvável sua publicação em português, o que alimentará as pesquisas em filosofia antiga no Brasil. Vamos esperar, contudo, que da próxima vez o mesmo espaço dado a Reale (do qual já temos a "História da Filosofia Antiga", também lançado pela Loyola) seja partilhado com outros pesquisadores internacionais de mesmo calibre e não necessariamente do mesmo estilo.

Alberto Alonzo Muñoz é doutorando em filosofia antiga pela USP. 

sábado, 15 de março de 2014

Ubuntu 12.04 - Install Android Tools (ADB, Fastboot, ...)


Ubuntu 12.04 - Install Android Tools (ADB, Fastboot, ...)

Contents[Hide]
dropcap-ubuntu-android
If you own an Android Smartphone, you will need sooner or later to use some specific Android tools like adb or fastboot.
If you need these tools, two options are now available under Ubuntu 12.04 :
  • Install the whole Android SDK which bring these tools among may other things
  • Install some specific android-tools packages that bring only these tools
This article will explain the simple steps needed to install Android tools, including latest Android SDK on a Ubuntu Precise 12.04 workstation.
Both options have been tested to Root a Google Nexus S and to Root a Google Nexus 7.

1. Setup ADB Udev Rule

Before accessing your android device in adb mode, you need to :
  • set the device to use USB Debug
  • declare a corresponding Udev rule on your Ubuntu box
After setting the device in USB Debug mode and connecting it to a USB port, throw the command :
# lsusb
...
Bus 002 Device 059: ID 18d1:4e42 Google Inc.
This is the result for a Google Nexus 7 connected in MTP mode with USB Debug on. It gives the Manufacturer and Model ID.
Now that we have these data, we can create the udev rules in /etc/udev/rules.d/99-android.rules.
# sudo gedit /etc/udev/rules.d/99-android.rules
/etc/udev/rules.d/99-android.rules
# Google Nexus 7 16 Gb
SUBSYSTEM=="usb", ATTR{idVendor}=="18d1", ATTR{idProduct}=="4e42", MODE="0666", OWNER="your-login"    # MTP mode with USB debug on
your-login should be your Ubuntu session login.
We can now restart udev for the new rules to become operationnal.
# sudo service udev restart

2. Install Android tools Only

If you don't plan to do some development on your android device, you don't need to install the complete SDK.
One android-tools package is now available on Ubuntu quantal.
Thanks to Web8upd site this package has been ported to Ubuntu precise and is available as a PPA.
So, to install the tools, you just need to declare the PPA and install the package :
# sudo add-apt-repository ppa:nilarimogard/webupd8
# sudo apt-get update
# sudo apt-get install android-tools-adb android-tools-fastboot
The tools are now available in command line.

3. Install Android SDK

3.1. Install Oracle Java 7

To install the complete Android SDK, first step is to install latest Oracle Java 7 runtime environment.
We also have to previously uninstall OpenJDK, as it is provided out of the box with Ubuntu Precise.
Oracle Java is not available in the official Ubuntu repositories anymore because that's not allowed by the new Java license.
We will get the help of WebUpd8 PPA to install it.
The package in the PPA automatically downloads (and installs) Oracle Java JDK 7 from its official website and installs it on the computer (it works like the flashplugin-installer).
# sudo apt-get purge openjdk*
# sudo add-apt-repository ppa:webupd8team/java & sudo apt-get update
# sudo apt-get install oracle-java7-installer

3.2. Install ia32-libs

Android SDK still needs the 32bits compatibility packages to run.
So, if you are running an AMD64 distribution, you need to install the well-known ia32-libs package.
# sudo apt-get install ia32-libs
This will download hundreds of packages and take ages ...

3.3. Install Android SDK

Download Android SDK.
Extract it to one folder & from that folder run these commands :
# cd ./tools
# ./android sdk
Get the default choice and start Install xx packages.
You are now running Android SDK on your Ubuntu box.

4. Allow ADB trusted connexion

Starting from Android 4.2.2 onward, a new security feature has been introduced within ADB.
You must confirm on your device that it is being attached to a trusted computer before any dialog can take place.
This security feature need adb version 1.0.30 and above.
You can check easily your ADB version :
# adb version
Android Debug Bridge version 1.0.31
# adb devices
List of devices attached
xxxxxxxxxxxxxxx          device
If your adb version is too old you'll get :
# adb devices
List of devices attached
xxxxxxxxxxxxxxx          offline
When you will plug your Android device for the first time, it will display a message asking you to allow connexion to your computer as a trusted computer.
You need to validate the message and to select the permanent checkbox.

5. Install QtADB

QtADB is an app based on adb. It requires working  android sdk, Qt libs version 4.7, root and busybox installed on the Android device.
To use QtADB, it is very important to have your device rooted and to have installed Busybox from Google play.
After installation, you need to launch BusyBox Free and start the Install procedure using smart install.
Without these steps, half of QtADB functionalities won't work.

QtADB will allow you to :
  • have a complete access to your Android device filesystem
  • manage your installed applications
  • get some device informations (battery level, memory usage, ...)
  • take some device display screenshot
Before installing it you should install the dependencies :
# sudo apt-get install libqtgui4 libqt4-network libqt4-declarative
Then you need to get QtADB binary from http://qtadb.wordpress.com/download/.
Put the binary QtADB in a directory and make it executable.
The first time you launch it, it will ask for the directory where Android tools are installed (it depends on the fact that you used the PPA or the Google SDK).
You can now access your complete phone filesystem.
Be careful, you have the full powers !
This article is published "as is", without any warranty that it will work for your specific need.
If you think this article needs some complement, or simply if you think it saved you lots of time & trouble,
just let me know at
nicolas.bernaerts@laposte.netThis email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
. Cheers !
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Gonzaguinha - Eterno Aprendiz

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
Mas e a vida
Ela é maravida
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida e viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

AS MULTIDÕES DE JUNHO DE 2013 DIANTE DA BIFURCAÇÃO

do +Augusto de Franco  via +Normann Kallmus 

No grande swarming do dia 17 de junho de 2013 (o 17J em São Paulo, no Rio de Janeiro e em várias capitais e outras cidades do país) a violência praticada por grupos isolados (desencadeada, talvez, por agentes infiltrados, provocadores, bandidos e manifestantes imbuídos de espírito adversarial mesmo), foi lateral, pontual, pouco significativa.

Um dia antes (16 de junho) publiquei um longo texto sobre o tema, intitulado GUERRA OU PAZ?, em que chamava a atenção para esse risco da instrumentalização das manifestações por grupos que costumam adotar a tática de provocar o confronto. 

Não foi isso, entretanto, que ocorreu, nem no 17J, nem nos dias seguintes (18 e 19 de junho). A movimentação se espalhou por todo o país e, na maioria dos casos, houve violência praticada por pequenos grupos isolados e indivíduos fora de sintonia com a imensa maioria dos participantes. Em geral foram grupos e indivíduos que tentaram invadir prédios de governos e do legislativo ou que tentaram furar os bloqueios erigidos pela polícia. Esses grupos e indivíduos atuam quando as manifestações já estão no fim, em alguns casos fazendo saques, depredando e ateando fogo em viaturas, lojas comerciais, agências bancárias e, até, bancas de jornais. A maioria dos manifestantes nem presencia as cenas de violência e só fica sabendo depois, pela televisão. Em alguns casos, porém, houve conflito entre os que queriam manter o caráter pacífico das manifestações e alguns meliantes. Em São Paulo foi notável o esforço de alguns manifestantes para impedir a depredação da sede da prefeitura.

É claro que tudo isso é péssimo: tanto a violência em si, quanto a sua repercussão. Tenho afirmado que a ocupação pacífica e a festa - e não a luta rancorosa - é que podem quebrar o script da Matrix. Um comentário do Nilton Lessa a um post com esse conteúdo que publiquei ontem (19/06) no Facebook, diz tudo: "Nada seria mais revolucionário, subversivo e perturbador para o mundo hierárquico. Festejar e não lutar; conviver e não combater; mover-se e não estagnar; viver-e-morrer e não eternizar".

Cada pessoa que interage nesse grande processo social convulsivo em que estamos imersos pode ajudar a coibir a violência. Ela não será totalmente evitada, por certo, mas pode novamente voltar a ser apenas incidental, fortuita, lateral, pontual. Além de carregar cartazes e gritar, com perdão do termo, a "palavra-de-ordem" SEM VIOLÊNCIA, ajudaria muito, a meu ver, ocupar pacificamente determinados espaços públicos e fazer festas.

Ocupar espaços públicos (por exemplo, uma praça ou várias praças) é mais condizente com a natureza das manifestações do que organizar passeatas. A ocupação pode ensejar mais facilmente a auto-organização e a autorregulação dos conflitos. A passeata tem itinerário e logo aparecem pessoas e grupos querendo dirigir "a massa" para algum lugar (por exemplo, para os portões de algum palácio).

Felizmente esses aprendizes de condutores de rebanhos não têm se dado muito bem. Uma prova disso é que as passeatas em geral se bifurcam e as pessoas não obedecem muito aos que querem mandá-las seguir por determinados caminhos, às vezes até usando megafones. De qualquer modo, passeatas pressupõem sempre algum tipo de condução, de acordo prévio sobre o itinerário com a polícia. Mas aí vem o problema: quem fará tal acordo em nome de todos, considerando que as multidões que têm se reunido não estão sendo convocadas de modo centralizado nem estão subordinadas a alguma direção?

O inovador dessa movimentação incrível (e inédita) que estamos vivendo no Brasil é que ela não tem organização top down, não tem direção, foi convocada de modo distribuído P2P e com a utilização de midias interativas. Ou seja, a despeito dos sinceros esforços dos que querem convocá-los e orientá-los, os eventos estão sendo organizados pelos próprios participantes, pessoalmente ou clusterizados em múltiplos grupos que não podem ser representados por ninguém. 

O grupo que lançou o movimento pelo Passe Livre não representa a movimentação que está em curso no país, nem mesmo em São Paulo. Aliás, não existe um movimento, existem várias movimentações sintonizadas, que se sinergizam mutuamente. Essas multidões - atenção: não massas - que se aglomeram e enxameiam em todo o país não são representadas pelo movimento do Passe Livre, nem por qualquer comitê, coordenação, direção de algum movimento hierárquico. O que está ocorrendo é mais a manifestação de uma fenomenologia da interação em mundos sociais altamente conectados do que uma dinâmica participativa assembleísta que possa ser administrada e conduzida por estruturas centralizadas por meio de seus agentes (dirigentes e militantes).

Estamos diante de um fenômeno de rede. Mas parece que a ficha ainda não caiu na cabeça daquela parte da militância que tem a tara de organizar os outros e conduzi-los para algum lugar. Uma prova disso é a ansiedade para ter um foco, um pauta de reivindicações, um programa definido para negociar com os governos... Se continuar assim não tardará a surgir algum esperto propondo a criação de uma nova organização, de um comitê nacional, de comitês estaduais, de comitês municipais, e até de um novo partido (com a maior boa intenção do mundo, é claro, para não desacumular, para não desperdiçar o imenso potencial que foi despertado). 

Por tudo isso penso que estamos diante, neste exato momento, de uma bifurcação importante. Não tenho a menor ansiedade ou preocupação com a continuidade do que alguns chamam de "o movimento" e que, na verdade, são múltiplas manifestações: elas foram, são e serão o que serão. O que foi feito (não me refiro propriamente à redução do preço das passagens) já foi feito (e modificou a sociedade na sua intimidade, em profundidade maior do que podemos agora alcançar). O que será feito, será feito e acontecerá o que poderá acontecer, ao sabor dos ventos, no imprevisível fluxo interativo percorrendo múltiplos caminhos. As redes distribuídas não são instrumentos para realizar a mudança: elas já são a mudança!

O que me preocupa é a eventual criação de barreiras, filtros, armadilhas de fluxos (como o são as organizações hierárquicas) que tentem bloquear ou condicionar a livre interação: por exemplo, iniciativas que tentem erigir comitês, realizar eleições para escolher representantes, reunir assembléias para aprovar pautas, plataformas, programas e adotar modos de regulação que criem artificialmente escassez, introduzindo as inevitáveis disputas de tendências e luta de facções et coetera. Se tomarmos o ramo da bifurcação que leva a isso, começaremos a viagem de volta para algum lugar do passado.

Se tomarmos o outro ramo da bifurcação, porém, confiando na rede e nos abandonando ao fluxo interativo, continuaremos antecipando futuro no presente. Não há nada melhor do que isso. E para isso, nada melhor do que ocupar pacificamente os espaços públicos e festejar. A festa, o riso, a alegria, desarmam os hard feelings, convertem inimizade em amizade política, configuram ambientes favoráveis à colaboração (e não à competição) e questionam profundamente os esquemas de poder que estão na raiz dos males que levaram às multidões às ruas.

Se as pessoas se põem a dançar e cantar, muitos milagres podem acontecer. Até mesmo governos podem cair - mas isso está longe de ser o mais importante. Só é muito importante para quem sonha em entrar em governos. O potencial desse gigante que começou a acordar é muito maior do que isso. De que adianta entrar em governos se não se muda o velho sistema, ou seja, se se mantém o velho padrão de relação Estado-sociedade? Em pouco tempo os novos ocupantes estarão reproduzindo o mesmo comportamento que hoje condenam nos velhos atores...

O que está em jogo, neste momento, no Brasil e em vários lugares do mundo, é uma mudança mais profunda: uma verdadeira reinvenção da política ou uma nova invenção (a terceira) da democracia.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Por que Alberto Arruda?



Por que +Alberto Arruda ?

Muitos tem idéias e ideais, mas poucos conseguem por em prática. Transformar projetos em ações. O Professor Alberto Arruda, em conjunto com outros colaboradores, conseguiu tornar realidade a pós-graduação em Física na UFMT, colocando o estado de Mato Grosso na vanguarda científica nacional. Grandes nomes do cenário da física brasileira reconhecem seu trabalho através da exposição de nossas produções por meio de promoção de eventos regionais e nacionais, publicações de grande impacto e apresentações em simpósios, palestras e encontros. Além disso, o Mestrado em Física capacitou vários estudantes para fazerem doutorado em importantes instituições e hoje estes outrora alunos são colegas cujo o trabalho cientifico é notoriamente reconhecido.

Mas chegou o momento de decolar !

Para tanto, faz-se necessário abrir novas portas. Através da direção do Instituto de Física da UFMT, Alberto Arruda poderá consolidar e dar maior apoio e prioridade aos programas de pós-graduação que integram o IF. Por meio da contratação de professores, melhoria nas instalações (salas de aula, laboratório, sala de professores, auditórios, suporte técnico...), fortalecimento e racionalização da estrutura pedagógica, incentivo a divulgação científica, apoio a pesquisa, entre outras prioridades, Alberto Arruda, em conjunto com todos os membros docentes, discentes e técnicos integrantes da Instituição, pretende dar o * "Big Leap" *, o grande salto para definitivamente firmar a Física Mato-grossense como grande produtor de conhecimento científico e tecnológico.

Por tudo isso, peço seu apoio nesta segunda-feira, em nome do professor+Alberto Arruda !

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Microscópio consegue registrar ligações individuais entre átomos


Microscópio consegue registrar ligações individuais entre átomos

    Imagem feita pelo microscópio mostra molécula de nanografeno com ligações carbono-carbono de diferentes distâncias e ordem. A molécula foi sintetizada no CNRS

Pesquisadores da IBM Research, em Zurique, da Universidade de Santiago de Compostela e do Centro Nacional de Pesquisas (CNRS, francês), em Toulouse, afirmam ter conseguido usar um microscópio para registar uma imagem tão detalhada de uma molécula que mostra o comprimento e a ordem das ligações entre os átomos. O estudo, divulgado hoje, ilustra a capa daScience, da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) de sexta-feira.
Em 1981, Gerd Binnig e Heinrich Rohrer inventaram na IBM Research (em Zurique) o microscópio de corrente de tunelamento, que permitia aos cientistas registrar e manipular átomos. Em 1986 eles levaram o Nobel pelo feito e, no mesmo ano, Binnig apresentou o sucessor da máquina - o microscópio de força atômica (AFM, na sigla em inglês), que foi usado no estudo divulgado hoje.
Não é a primeira vez que se registra a ligação química em um microscópio. Contudo, o registro do comprimento e da ordem (o número de ligações entre cada átomo - uma, duas ou três) pode levar a um avanço na criação de nanomateriais. "Nós podemos estudar essas ligações em um nível de moléculas individuais e ligações individuais agora. Isso é emocionante. Nós temos agora que ver que importantes resultados nós vamos obter com esta técnica", diz ao Terra Leo Gross, da IBM Research, um dos autores da pesquisa.
O mecanismo usa uma única molécula de monóxido de carbono (CO) na ponta de uma espécie de agulha. O CO reage à força repulsiva de outras partículas e mexe a agulha, que registra essa força com precisão. A tecnologia já é bem conhecida e usada, afirma o pesquisador. "Um AFM vai de US$ 100, feito por conta própria, a até cerca de US$ 1 milhão. Nossa máquina é feita principalmente por nós mesmos, mas similares custam na casa de meio milhão de dólares", diz Gross.
Em nota, a IBM explica que na nova pesquisa os cientistas descobriram dois mecanismos para registrar cada ligação individualmente. Primeiro, eles encontraram pequenas diferenças na força medida acima das ligações. Segundo, as ligações apareciam com diferentes ondas nas medições do microscópio. Os cientistas descobriram que as oscilações medidas eram causadas por inclinações da molécula de CO e usaram isso para deixar mais detalhado o registro.
Em uma pesquisa de 2009, o time já havia conseguido fazer a imagem das ligações entre os átomos de uma molécula, mas com bem menos precisão que as atuais. O problema eram perturbações causadas no registro. Para chegar a um detalhamento maior, os cientistas tiveram que escolher e sintetizar moléculas nas quais eles podem "tirar" essas perturbações.
Os pesquisadores analisaram as ligações entre carbono de moléculas de grafeno C60 (fulereno) e de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH). As moléculas são parecidas, mas suas ligações químicas se diferem levemente em comprimento e força - essas diferenças resultam em todas as importantes características químicas, eletrônicas e ópticas dessas substâncias.
"Isso (o registro individual de ligações entre átomos) pode aumentar nosso conhecimento básico no nível de moléculas individuais, o que é importante para a pesquisa de novos equipamentos eletrônicos, células solares orgânicas e diodos orgânicos emissores de luz (oleds). Em particular, o relaxamento entre ligações ao redor de imperfeições do grafeno, assim como mudanças nas ligações em reações químicas e em estados excitados podem potencialmente ser estudados", diz Chris Sciacca, porta-voz da IBM Research.
Contudo, a empresa não acredita que os resultados práticos serão vistos em breve no nosso dia a dia. "Esta é uma pesquisa muito fundamental e levará muitos anos para que possamos ver algumas inovações desse trabalho no mercado", diz Chris Sciacca, porta-voz da IBM Research.

domingo, 29 de julho de 2012

Aristóteles e Higgs: uma parábola etérea

marcelo gleiser

 

29/07/2012 - 05h03
Aristóteles e Higgs: uma parábola etérea

 

Aristóteles e Peter Higgs entram num bar. Higgs, como sempre, pede o seu uísque de puro malte. Aristóteles, fiel às suas raízes, fica com um copo de vinho.

"Então, ouvi dizer que finalmente encontraram," diz Aristóteles, animado.

"É, demorou, mas parece que sim," responde Higgs, todo sorridente. "Você acha que 40 anos é muito tempo? Eu esperei 23 séculos!" "Como é?", pergunta Higgs, atônito. "Você não acha que..."

"Claro que acho!", corta Aristóteles. "Você chama de campo, eu de éter. No final dá no mesmo, não?"

"De jeito nenhum!", responde Higgs, furioso. "O seu éter é inventado. Eu calculei, entende? Fiz previsões concretas."

"Vocês cientistas e suas previsões...", diz Aristóteles. "Basta ter imaginação e um bom olho. Você não acha que o meu éter é uma excelente explicação para o que ocorre nos céus?"

"Talvez tenha sido há 2.000 anos. Mas tudo mudou após Galileu e Kepler", diz Higgs.

Aristóteles olha para Higgs com desprezo. "Você está se referindo a esse 'método' de vocês, certo?"

"O método científico, para ser preciso", responde Higgs, orgulhoso. "É a noção de que uma hipótese precisa ser validada por experimentos para que seja aceita como explicação significativa de como funciona o mundo."

"Significativa? A minha filosofia foi muito mais significativa para mais gente e por muito mais tempo do que sua ciência e o seu método."

"É verdade, Aristóteles, suas ideias inspiraram muita gente por muitos séculos. Mas ser significativo não significa estar correto."

"E como você sabe o que é certo ou errado?", rebate Aristóteles. "O que você acha que está certo hoje pode ser considerado errado amanhã."

"Tem razão, a ciência não é infalível. Mas é o melhor método que temos para aprender como o mundo funciona", responde Higgs.

"Nos meus tempos bastava ser convincente", reflete Aristóteles com nostalgia. "Se tinha um bom argumento e sabia defendê-lo, dava tudo certo", continuou.

"As pessoas acreditavam em você, mas não era fácil. A competição era intensa!" "Posso imaginar", responde Higgs.

"Ainda é difícil. A diferença é que argumentos não são suficientes. Ideias têm que ser testadas. Por isso a descoberta do bóson de Higgs é tão importante."

"É, pode ser. Mas no fundo é só um outro éter", provoca Aristóteles.

"Um éter bem diferente do seu", responde Higgs. "E por quê?", pergunta Aristóteles. "Pra começar, o campo de Higgs interage com a matéria comum. O seu éter não interage com nada."

"Claro que não! Era perfeito e eterno", diz Aristóteles.

"Nada é eterno", rebate Higgs.

"Pelo seu método, a menos que você tenha um experimento que dure uma eternidade, é impossível provar isso!" afirma Aristóteles.

"Touché, você me pegou", admite Higgs. "Não podemos saber tudo." "Exato", diz Aristóteles. "E é aí que fica divertido, quando a certeza acaba."

"Parabéns pela descoberta do seu éter", diz Aristóteles.

"Existem muitos tipos de éter", afirma Higgs. "E muitos tipos de bósons de Higgs", retruca Aristóteles.

"É, vamos ter que continuar a busca." "E o que há de melhor?", completa Aristóteles, tomando um gole.

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). É vencedor de dois prêmios Jabuti e autor, mais recentemente, de "Criação Imperfeita". Escreve aos domingos na versão impressa de "Ciência".

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Editorial: O advento de Higgs

Da Folha em 05/07/2012

"A Partícula de Deus" é um bom título de livro, já empregado pelo físico e Nobel Leon Lederman para apresentar o bóson de Higgs. A referência mística, porém, só faz apequenar a descoberta anunciada ontem pelo Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear).

A confirmação da existência dessa partícula fundamental constitui um triunfo da ciência. Vale dizer, da faculdade humana de explicar o mundo apenas com observações da realidade, formulação de teorias e testes empíricos, sem apoio necessário em crenças e valores.

A teoria por trás do bóson de Higgs é o Modelo Padrão. Ele estipula um conjunto de 16 partículas, 12 delas componentes da matéria (férmions, como o elétron) e quatro portadoras de forças (bósons, como o fóton, partícula da luz).

O desenvolvimento e a corroboração do modelo ocuparam a física por ao menos meio século, com enorme sucesso. Todas as partículas previstas acabaram detectadas.
O Modelo Padrão, contudo, enfrentava problemas. Sua matemática não conseguia explicar como as partículas poderiam ter massa, coisa que se sabia possuírem. Teoricamente, viajariam todas pelo éter à velocidade da luz, imponderáveis como o lume de estrelas.

Faltava algo. Entraram em cena seis físicos -entre eles Peter Higgs, que daria nome à partícula- de três grupos de pesquisa na Escócia, nos EUA e na Bélgica.

O sexteto lançou em 1964 a hipótese de um Universo embebido em uma quinta variedade de bóson. Seriam partículas invisíveis com o poder de dotar as outras de massa, como um líquido viscoso a dificultar seus movimentos.

A detecção do bóson de Higgs dependia, porém, de imensos aceleradores de partículas, como o LHC do Cern. Essas máquinas poderosas promovem trilhões de colisões entre pedaços de átomos, na expectativa de que a análise dos estilhaços permita garimpar pepitas como a de Higgs.

Os pesquisadores do Cern se dizem convencidos de que encontraram o elo faltante -ou, pelo menos, "um" bóson de Higgs. Pode haver outros, caso em que o modelo pediria nova reforma. Assim, aos poucos, avança a ciência humana.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Redes sociais. Ainda há mais por vir.

Ok. Estamos vivendo uma era social. Todos compartilhado ideias e sentimentos. Será que estamos chegando ao ápice desta onda? Acho que a tecnologia pode levar o atual desenvolvimento da chamada "web 2.0" a um novo nível.

Vamos imaginar o seguinte cenário. Em um futuro próximo teremos câmeras anexa em nossas roupas, ou óculos se preferirem. Nossos smartphones terão sistemas de geolocalização ativos e assim, imediatamente pessoas próximas fisicamente a voce poderão saber, por exemplo, suas atividades naquele momento.

Se voce está ouvindo uma música ou vídeo e alguém perto curte o estilo, ela vai curtir voce. Imagina isso. Esteja no metrô e de repente ouvindo aquela música que só você acha legal, mas perto da sua localização uma pequena galera, uma tribo, tem uma afinidade inesperada. Ou lendo uma notícia ou visitando um site, outras pessoas possam ver está atividade, achar o conteúdo interessante e num piscar de olhos, tornar-se um formador de opinião das massas.

E as câmeras? Sim, começamos este assunto falando sobre elas. As pessoas transmitindo áudio e vídeo em tempo real, uma novela do seu eu 24 horas. Informações sobre clima, trânsito, eventos. Tudo absolutamente. Reconstrução de lugares virtualmente através das imagens captadas por centena de milhões de olhos.

Entrar numa loja e saber o que os clientes estão comentando... Ou talvez nem entrar, dependendo da recepção virtual. Uma festa flashmob a qualquer momento, bastando aquele clima local pintar com quem estiver por perto. Nossos comportamento, costumes, sociedade. Tudo muda. Tudo.

Só quero estar preparado pra isso!!!


quarta-feira, 7 de março de 2012

Ao amigo MS-Win

Caro amigo, voce é mais jovem que eu, mas é de uma boa geração, que conheceu os primeiros computadores pessoais, como os desejaveis tk 80 e tk 85, passando pelos prologicas cp500 e 400color e os MSX's maravilhosos. Essa geração programou em assembler dos Z-80 e se encantou com o Amiga de 32 bits numa epoca que os pc's tinham parcos 16. Usamos o DOS e o windows 3.1. Trabalhamos com Basic, Pascal, Fortran, Cobol. Por tudo isso sabemos o que é um bom software e hardware.

Se um Mac é um equipamento superior é porque soft e hardware são perfeitamente casados. Se o windows é por enquanto o mais usado é porque fabricantes de pc's e periféricos desenham suas maquinas sobre medida do SO. Quando se fala que o linux é bugado, isso é devido a distribuições linux tremendamente mal elaboradas (satux e cia)... Mas o linux em si é o estado da arte dos SO's. Melhor inclusive que o pai-de-todos UNIX, porque seu codigo é constantemente revisado pela comunidade. Pense em distribuições como Suse, Ubuntu, Mint, Chrome OS, Android e forks associados dentre outros. Essas distros são para os usuarios basicos... Quanto a software de produção, pense em qualquer um que tenha no Win, haverá vários equivalentes para linux, que fazem as mesmas coisas usando caminhos diferentes. Mas somente o Linux te dá a liberdade de ir além do software. Ele te dá acesso aos meandros do sistema. Voce decide o que ele tem que fazer.

As pessoas pensam que o windows é pratico, mas não é. Ele te consome tempo e te dá pejuizo. Quem nunca formatou uma maquina win, como alguem que faz uma sangria para curar um resfriado? Firewalls, anti-virus, otimizadores de memoria... Todos pagos e que deixam seu computador mais lento... Realmente frustrante.

A tendencia no futuro parece promissora. Estamos caminhando para uma era em que os serviços são pagos e não mais o software. Que o código aberto permite uma colaboração mais dinâmica. Que um SO é irrelevante e que a web é um proprio SO. A historia é uma linha ferrea e quem perder esse bonde não terá outro para aguardar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Propriedade Intelectual

ARTIGOS DE OPINIÃO
Propriedade Intelectual

Marli Elizabeth Ritter dos Santos é diretora do Escritório de Interação e Transferência de Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No dia 13 de julho, foi a principal palestrante da mesa redonda intitulada "O Paradoxo do Sigilo no Universo Acadêmico: Defesa de Tese Aberta versus Fechada, Proteção versus Publicação e a Relação de Confidencialidade na Parceria com as Empresas", que ocorreu no Rio de Janeiro durante o sétimo encontro da Rede de Propriedade Intelectual, Cooperação, Negociação e Comercialização da Tecnologia. A Repict, uma das redes temáticas da Rede de Tecnologia do Estado do Rio (www.redetec.org.br), reúne especialistas em propriedade intelectual. O texto que publicamos resulta da transcrição da provocadora apresentação de Marli Elizabeth, que toca em temas atuais para a universidade brasileira, cada vez mais chamada pela sociedade a se integrar ao esforço de desenvolvimento econômico do País. Além de publicar a transcrição - gentilmente cedida pelos organizadores do VII Encontro da Repict -, Inovação Unicamp também oferece à atenção dos leitores artigo publicado na revista Science em que se debatem os impactos do Bayh-Dole Act sobre as universidades norte-americanas.
O Bayh-Dole Act é um marco de referência.
No debate sobre o sigilo no universo acadêmico, o Bayh-Dole Act norte-americano (editado em 1980) se tornou um marco de referência, por tratar da transferência de tecnologia e da propriedade intelectual nas universidades. O grande avanço do Bayh-Dole Act foi permitir à universidade reter os direitos de propriedade intelectual sobre o resultado de pesquisas desenvolvidas com recursos federais. Até ali, era o governo federal o proprietário dos resultados advindos dessas pesquisas; houve então a percepção de que, dessa maneira, o conhecimento gerado não estava sendo adequadamente transferido para o setor empresarial, não se transformava num produto comercializável - o que impedia a sociedade americana de ter acesso a esse benefício. Uma ampla discussão foi iniciada no sentido de reverter essa situação. O Bayh-Dole Act deu o direito às universidades de reter os direitos de propriedade intelectual sobre a pesquisa; também descentralizou decisões e propiciou uma maior disseminação do conhecimento e sua transferência para o setor empresarial. O Bayh-Dole Act incentivou fortemente a colaboração entre universidades e empresas, reconhecendo a força da comunidade acadêmica na produção do conhecimento e a força da indústria na transformação desse conhecimento em um produto comercial. Nesse contexto, a lei estabelece como premissa fundamental o dever de proteger antes de publicar - mantém o sigilo. Outro aspecto do Bayh-Dole Act é tornar obrigação legal das universidades a comercialização da tecnologia do resultado de pesquisa. Para poderem reter o direito de propriedade intelectual, as universidades norte-americanas assumem o compromisso com a comercialização desses resultados. Esses são apenas alguns dos aspectos da lei, que vem sendo modificada para superar falhas. Da mesma maneira, a nossa Lei de Inovação pode ser vista como um primeiro passo, no sentido de podermos aperfeiçoá-la à medida em que a operacionalização dos procedimentos nos mostre o que precisará ser aperfeiçoado. O modelo que o Bayh-Dole Act estabeleceu vem sendo seguido por vários outros paises, como China, França, Coréia, Alemanha, implementando normas no sentido de como regulamentar a propriedade intelectual e a transferência de tecnologia nas instituições de pesquisa.
A maior exploração dos temas de propriedade intelectual causou mudanças no universo acadêmico? Sim. Em primeiro lugar, chamou a atenção para a questão do direito da propriedade intelectual. Como acontecia a relação universidade-empresa, até bem pouco tempo atrás? Do lado acadêmico, a preocupação com o direito da propriedade intelectual praticamente inexistia. De um modo geral, as empresas ficavam com a patente, porque esta não era uma preocupação da universidade. Mais recentemente, a questão se incorporou à rotina universitária, e passou a ser um ponto importante de discussão e de negociação dos projetos cooperativos realizados com empresas - o que mostra já uma mudança. A lei norte-americana trata também do licenciamento de tecnologias e patentes - esta sim, uma variável nova, que introduziu uma variável de negócio no ambiente acadêmico e efetivamente trouxe consigo necessidade de mudanças em procedimentos, e a introdução de novos valores na rotina acadêmica. Com a intensificação do patenteamento, uma nova dinâmica passou a ser incorporada na própria prática da pesquisa. Até bem pouco tempo atrás, os nossos pesquisadores (e ainda hoje um grande número deles) não consultavam bases de patentes para estabelecer os seus projetos de pesquisa; com a preocupação de proteger os resultados, essa prática deve ser incorporada efetivamente para que se possa aferir melhor a novidade daquilo que vem sendo produzido na universidade. Um outro aspecto, bastante interessante, que está sendo introduzido pela Lei de Inovação, é a questão do compartilhamento dos ganhos econômicos com os pesquisadores. Eu diria até que o decreto 2.553, de 1998, já introduziu a possibilidade na nossa legislação; ele induziu as universidades a organizarem algum organismo dentro de sua estrutura para poder usufruir desses benefícios e concedê-los a seus pesquisadores. No conjunto dessas ações, apareceu a questão do sigilo e dos acordos de confidencialidade.
Diante desse novo contexto, o primeiro impasse que o pesquisador vive é: publicar ou proteger? No ambiente acadêmico, sempre houve a primazia da publicação sobre o patenteamento. Historicamente, a publicação tem sido a forma pela qual a instituição acadêmica avalia o prestígio do pesquisador, seu mérito acadêmico. A publicação é essa medida. Patente nunca foi considerada um produto acadêmico; como tal, não trazia o mesmo reconhecimento de mérito do pesquisador. Esse é o primeiro ponto: sempre houve uma primazia da publicação. Mas em função das mudanças na nossa legislação e da introdução dessas novas variáveis na rotina acadêmica, já existe um grande movimento no sentido de avaliar a patente como um produto acadêmico. Alguns comitês assessores dos órgãos de avaliação, da Capes e do CNPq já têm considerado patentes como resultados acadêmicos. Nem sempre o peso dado à patente, no entanto, é coerente com o esforço desenvolvido pelo pesquisador para depositar e para conseguir a patente. Muitos comitês têm adotado o critério de dar a uma patente depositada, o mesmo peso de uma publicação indexada em periódico internacional - o que nem sempre é justo. Também não existe um conhecimento disseminado e um reconhecimento da importância estratégica de uma patente para universidade como patrimônio institucional - o que decorre de uma falta de conhecimento. É preciso um grande esforço de disseminação e de sensibilização da comunidade universitária em relação a esse tema.
Outra questão que os pesquisadores se colocam é por que precisam proteger antes de publicar, se existe na legislação brasileira o chamado "período de graça", que permite ao pesquisador proteger a sua invenção por um período de até doze meses. O "período de graça" só existe na nossa legislação e em mais dois ou três países. Por isso, o "período de graça" pode ser uma armadilha, um risco muito grande para tecnologias novas, que possam vir a ser comercializadas em países em que não se aceite o "período de graça" - isso invalidaria a patente. O melhor procedimento é: primeiro proteger, e depois publicar. É possível fazer isso; no entanto, não basta apenas uma política escrita, ou um escritório de transferência de tecnologia, um núcleo de propriedade intelectual, implementar e difundir o procedimento, se essa política não se inserir nos princípios das políticas institucionais de pesquisas e nas políticas governamentais. A inserção dessa diretriz é fundamental para respaldar a ação dos gestores de propriedade intelectual, sem o quê efetivamente não surtirá os efeitos buscados.
Em uma instituição que sempre teve a disseminação do conhecimento como um de seus objetivos falar em sigilo é considerado, por muitos, como privatização do conhecimento. Essa questão se reflete muito nas práticas de pós-graduação. Quando o coordenador de uma pós-graduação está diante de uma tese ou uma dissertação com alto conteúdo tecnológico - que poderia ser protegido -, há sempre um impasse. Como ele poderá proteger esse conhecimento se as normas de pós-graduação estabelecem que um dos requisitos para obtenção de um título é a realização de uma defesa pública? Algumas instituições têm se perguntado sobre fazer a defesa de forma fechada, o que tem causado conflitos - porque fere os princípios. A alternativa que tem surgido é fazer a defesa pública da tese, mas tomar o cuidado de proteger antes. Mesmo assim, é preciso tomar alguns cuidados - um deles, solicitar que a banca assine um termo de confidencialidade para que esteja ciente de que aquele é um conteúdo altamente confidencial e protegido; durante a própria defesa pública, dados importantes não poderiam ser revelados. Finalmente, depois de concedido o título deve haver algum dispositivo que impeça o acesso de terceiros à tese depositada na biblioteca.
Outro aspecto correlato diz respeito à evasão de conhecimento. Nossos estudantes que vão se pós-graduar em universidades estrangeiras assinam um termo de compromisso renunciando à propriedade do conhecimento que ele gerar em favor da instituição. Parte dessas teses, principalmente na área de fármacos, é sobre plantas que usam a nossa biodiversidade. Esse conhecimento fica protegido no exterior e provoca uma evasão de conhecimento.
Finalmente, há a questão da confidencialidade nas parcerias das universidades com empresas privadas. As universidades preferem publicar em cumprimento do compromisso de sua missão disseminadora de conhecimento. As empresas, por sua vez, desejam limitar as publicações para proteger sua posição competitiva. Como conciliar essas duas formas tão diferentes de encarar o sigilo e a confidencialidade? A universidade, para poder contribuir com a empresa no desenvolvimento de um projeto cooperativo, precisa assegurar a ela um compromisso com o sigilo nas questões fundamentais para o parceiro empresarial. Muitas vezes é necessário que toda a equipe trabalhando no projeto assine termos de confidencialidade. Mas para a universidade justificar sua ação naquele projeto de pesquisa, é preciso assegurar que o conhecimento genérico desenvolvido no decorrer desse projeto possa ser utilizado para fins de ensino e pesquisa. Uma possível solução é a universidade negociar o compromisso de dar à empresa o direito de revisar o artigo, ou retardar sua publicação por um período, até que seja analisado e eventualmente depositada uma patente de interesse da empresa.
Os gestores de propriedade intelectual e transferência de tecnologia têm enfrentado esses problemas no dia a dia de suas atividades. É preciso debater e encontrar caminhos.
Nota do Managing Editor: Este texto foi publicado anteriormente pelo Boletim Unicamp Inovação (http://www.inovacao.unicamp.br), edição de 05 de agosto de 2004. O artigo publicado na revista Science, no qual são debatidos os impactos do Bayh-Dole Act sobre as universidades norte-americanas, pode ser acessado em:http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-science.shtml

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Folha.com - Hélio Schwartsman - Mais rápido que a luz - 06/10/2011

hélio schwartsman

06/10/2011- 07h00

Mais rápido que a luz

No que pode ser a mais importante notícia científica das últimas décadas, pesquisadores do Laboratório Nacional Gran Sasso, na Itália, anunciaram ter flagrado partículas subatômicas com massa viajando em velocidades superiores à da luz.



No experimento Opera, cientistas lançaram neutrinos (partículas elementares cuja massa é muito pequena, mas maior do que zero) do Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear), que fica na fronteira entre a Suíça e a França, rumo ao laboratório italiano, percorrendo uma distância de 730 km por túneis subterrâneos.



De acordo com a equipe do físico Antonio Ereditato, as partículas concluíram sua jornada 60 nanossegundos (bilionésimos de segundo) antes do que deveriam caso a velocidade da luz tivesse sido respeitada. ªFicamos chocadosº, declarou Ereditato à revista "Nature".



Não foram só eles. Cientistas de todo o mundo receberam a notícia com descrédito. Pelo menos por ora, preferem atribuir os resultados a algum erro no experimento. Têm bons motivos para isso. Pelo que pude constatar em artigos e blogs da comunidade de físicos, a maioria, aqui incluídos os próprios autores do trabalho, acha mais prudente esperar que esses resultados sejam reproduzidos por outros grupos antes de considerá-los válidos. Dois laboratórios, o Fermilab nos EUA e um outro no Japão, têm capacidade de reproduzir alguma versão do experimento. Isso, entretanto, exigirá tempo. Fala-se em algo como um ano.



Se os resultados da equipe italiana são corretos, boa parte da física produzida no século 20 precisa ser revista. Uma vítima potencial é a teoria da relatividade especial do físico alemão Albert Einstein (1879-1955) --a do famoso E=mc2--, que postula que partículas com massa não podem ser aceleradas para viajar mais rápido do que a luz (os fótons, as partículas de que a luz é feita, ao contrário dos neutrinos, não têm massa). As implicações não têm nada de trivial. Se a velocidade da luz pode ser violada por um neutrino, a forma como o Universo processa informações fica bagunçada. Torna-se em princípio possível que efeitos precedam suas causas, o que literalmente vira o Universo de pernas para o ar. Para os que gostam de enfatizar o lado prático, abrir uma agência de viagens no tempo começa a parecer uma boa oportunidade de negócios.



Em termos mais convenientemente acadêmicos, o próprio impacto da descoberta, se confirmada, vale frisar, ainda não está claro. Victor Stenger, por exemplo, sustenta que os axiomas básicos da relatividade especial e suas equações não saem arranhados. Bastaria, segundo o autor de "The Fallacy of Fine-Tuning", retirar da teoria o princípio da causalidade (a noção, secundária na teoria, de que causas vêm antes de efeitos) que tudo fica bem.



Já Brian Greene, da Universidade Columbia, vê implicações mais profundas. Para ele, a confirmação do neutrino superluminal nos forçaria a rever nossas ideias básicas sobre como o Universo funciona. Stephen Perke, chefe da física teórica do Fermilab, antecipa uma possível solução para o problema: os neutrinos tomaram um atalho por outras dimensões espaciais, o que lhes permitiu viajar mais rápido que a luz.



É aqui que as coisas começam a ficar interessantes. Deixo para os físicos a discussão sobre o que pode estar ocorrendo, se é que há de fato algo ocorrendo, e me concentro num tópico de filosofia da ciência, que é, como veremos mais adiante, o debate entre realistas e instrumentalistas.



Quando Perke recorre a dimensões extras para explicar a possível anomalia, ele está oferecendo uma solução matemática. Isso é não apenas esperado como também necessário. A imbricação entre física e matemática é total, entre outras razões porque nós só conhecemos aquilo que podemos medir, para roubar o bordão de Marcelo Gleiser em ªCriação Imperfeitaº, sobre o qual já escrevi uma resenha.



Ocorre que não são poucos os que acusam a física contemporânea, em especial a física de partículas e os teóricos das supercordas, de estar criando um universo de abstrações matemáticas que não têm como ser testadas no atual estado da nossa tecnologia (o que não seria um pecado muito grave) e nem em princípio (o que garante a danação eterna para um físico). De acordo com esses críticos, esses ramos da física estariam se aproximando perigosamente da metafísica e das religiões.



Que algumas teorias se tenham tornado altamente abstratas e radicalmente inverossímeis é indiscutível. No excelente "The Hidden Reality: Parallel Universes and the Deep Laws of the Cosmos", Brian Greene descreve (e de uma maneira quase compreensível) nada menos do que nove versões de multiverso, isto é, da ideia, para muitos extravagante, de que existem realidades paralelas. De acordo com alguns desses modelos, há mundos em que diferentes versões de você estão neste exato momento lendo esta mesma coluna; em outros, o seu eu paralelo está lendo a coluna, mas ela não trata de física e sim de filologia gótica. O número de realidades paralelas pode ser infinito, ou pelo menos absurdamente grande (maior do que o total de átomos no ªnosso Universoº), abarcando todas as histórias possíveis, isto é, todas as possibilidades concebíveis que não violem as leis da física.



Em outros modelos, universos paralelos brotariam como bolhas de sabão, resultado de flutuações quânticas submetidas a uma expansão ultrarrápida conhecida como inflação cósmica. Combinações desses diferentes nove tipos não estão descartadas. Algumas das propostas são tão complicadas que até as religiões parecem mais lógicas. Mas, ao contrário das fés, esses modelos estão calcados em sólida matemática e nenhum deles sugere que faça sentido rezar para realidades paralelas. Se há uma característica notável nos universos alternativos é que eles interagem muito fracamente com o nosso, quando e se de fato o fazem.



A questão que fica é: dá para acreditar nessas coisas? É aqui que entra a polêmica entre realistas e instrumentalistas. Para os primeiros, que incluem autores consagrados como Greene e o israelense David Deutsch, a resposta é sim. Universos paralelos existem e devemos acreditar neles porque é aonde as equações nos levam. Mais do que isso, já contamos com algumas evidências empíricas, como o fenômeno da interferência quântica. Com o tempo, afirmam, mais provas deverão acumular-se e provavelmente um dia teremos explicações completas que tornem essas realidades menos contra-intuitivas.



Em favor de seu caso, lembram que não havia ideia mais estranha do que a de que a Terra se move em altíssima velocidade em torno de seu próprio eixo e também do Sol. Afinal, o que vemos é o Sol cruzando os céus e não sentimos estar em movimento. Foi a matemática de Copérnico e Galileu que nos levou ao paradigma heliocêntrico, que hoje não recebe contestação.



Para os realistas, ainda que aos trancos e barrancos e sujeitos a erros, o que a matemática revela é real e os modelos científicos descrevem o mundo, o tecido de que é feito o Cosmo. A eles opõem-se os instrumentalistas, para os quais a realidade é, no fundo, incognoscível. Tudo o que a ciência pode nos oferecer são previsões corretas e é a elas que devemos nos ater. Uma teoria é tão boa quanto as previsões corretas que ela consegue fazer. Vale lembrar que a própria matemática, na qual a física se funda, é bem menos consistente do que gostamos de imaginar, como o demonstrou Kurt Gödel com seus teoremas da incompletude. A decorrência é que a própria lógica repousa sobre uma série de pressupostos filosóficos que não temos como justificar.



É um debate apaixonante no qual, pelo menos por hora, me abstenho de tomar posição. E ele ganha especial relevância numa situação em que uma ideia fundamental da física moderna pode ter sido contradita por um experimento. Se o neutrino apressadinho for de fato confirmado, os próximos meses e anos deverão ser epistemologicamente emocionantes.




Hélio Schwartsman
Hélio Schwartsman, 44, é articulista da Folha. Bacharel em Filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com às quintas-feiras.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tributo ao Google.



Quem me conhece sabe que sou um evangelizador do google. E só não sou de carteirinha porque não sou funcionário de lá, e nem tenho intenção de ser. Quem me conhece sabe que meu negócio eh a Academia.

Mas eu tiro o chapéu para o google sim. Por quê? Ora seus ingratos, veja como era nossas vidas antes do google. Tínhamos computadores, o Windows, o Office, muitos dados... disquetes e cds (caros na época) e de repente veio a internet ... e muita gente achava que era apenas uma febre passageira, uma curiosidade.

E a internet era chata mesmo. As pessoas tinham websites, haviam hospedagens gratuitas (lycos, fortunecity, yahoo, cjb, netfirms... e outros que injustamente esqueci)  e... claro, emails. Mas era uma fronteira desconhecida, como um deserto se comparado com hoje.

O interessante eh que conseguíamos viver bem, num ritmo bem mais calmo que o atual. Pouca gente tinha celular (que só servia pra falar) e dispositivos moveis ainda era ficção científica. Ok mas se a vida estava tranquila, havia a necessidade de organizar uma tremenda gama de conhecimento cada vez mais crescente, devido a informatização da sociedade. O processo foi natural, a vida ficou mais agitada, mas vamos levando conforme a dança.

Tá, mais e daí... o que aconteceu? A Microsoft simplesmente ignorou a internet. A Apple estava interessada numa nova mídia chamada mp3. Mas veio o Yahoo e foi bom. Sabe o que acontece no capitalismo? As empresas visam o lucro acima de tudo. Elas precisam vender, vender... acima de tudo, vender. E quando o lucro se torna conseqüência, e não o objetivo?

Esse novo paradigma foi iniciado por um site de busca chamado GOOGLE. O google passou os outros devido a um motor de busca revolucionário, quase humano. E assim começou a indexação da informação do mundo. Mas tínhamos o Yahoo e outros. Então por que o google? Porque o google não parou ... eles viram que podiam fazer mais, e nos trouxe o gmail, com inicialmente 2 gigas de armazenamento (ao invés de parcos meguinhas de nossos servidores de email). Depois veio o google earth. Podíamos ver o mundo todo literalmente, pela primeira vez em detalhes, e de graça. Ai vieram outros melhoramentos na busca, como o google acadêmico, google livros, noticias... Eles compraram o Youtube e deram a infraestrutura necessária para ser o que eh hoje. Nos deram também o google docs, uma opção gratuita e online da suite office, e ainda desenvolveram o Chrome, um navegador absurdamente rápido e com os plugins necessários para entrar na internet sem engasgos. E quanto a mobilidade, desenvolveram o android, sistema operacional para celulares, o qual está permitindo fazer essa postagem através de um telefone.

Fora isso, há outras iniciativas menos conhecidas, como o sistema de alerta a catástrofes e de ajuda imediata, o veículo auto conduzido, as campanhas de eficiência energética e outras. Aí as outras foram atrás, mas sem o mesmo espírito inovador. Igual ao que o google fez, apenas a apple com seus gadgets da moda.

Agora há um novo paradigma: a web social. Chama-se hoje de web 2.0 com toda propriedade. Não eh mais a busca importante mas as relações interpessoais. Assim como o Yahoo era líder nas buscas, hoje o Facebook toma frente nas sociais. Mas como na época da web 1.0, as redes de relacionamentos são uma bagunça sem muito propósito. O google novamente tenta por ordem no caos com o google+ e colocando uma camada social nos seus produtos. E por isso mesmo, espero que a produtividade supere a perda de tempo e o ócio. Os ingratos da mídia continuam a esnobar o google, o qual usam e dependem tanto, pra colocar o Facebook no altar. O site eh bom, mas não eh a solução dos nossos problemas (talvez os afetivos, quem sabe...) . E o Facebook não está tomando nenhuma iniciativa para melhorar as nossas vidas, pelo contrário, estamos perdendo mais tempo com as "inovações" que tentam nos manter mais tempo na sua homepage. Como ja foi dito antes. Ao acordamos um dia e não houver mais Facebook, bola pra frente. A vida continua. Mas se um dia o google sumir, então corramos para os abrigos subterrâneos, pois o fim do mundo não tardará a chegar.


domingo, 21 de agosto de 2011

Ainda sobre o império dos idiotas.

O nosso organismo tem uma fisiologia básica. Se estamos com fome, sentimos o incomodo dela em nossos corpos. Chega a tal ponto que fazemos de tudo para satisfazer nossa vontade. O mesmo não acontece se temos ignorância !!! Não existe a necessidade fisiológica de conhecimento. Imagina se ignorância matasse?

Meu problema é o humor. E hoje minha paciência estava bastante limitada. Vamos a um exemplo prático que ignorância eh um grande prejuízo para toda a sociedade. Os engenheiros dimensionam o mundo por um fator de 3 ou 4 vezes maior que o calculado. Não estou falando de um acréscimo de 25%, mas de 400%!!!
Eles chamam isso de "margem de segurança". O que poucos sabem eh que está incluído nessa margem, o fator "alguém vai fazer uma merd@!". Isso eh dinheiro pagando pela nossa burrice.

E quem nunca ficou travado na fila do caixa eletrônico? Você só vai sacar
... mas alguém na sua frente ira pagar todas as contas, fazer transferência, verificar extrato... te queimando 20 a 30 minutos de sua paciência, por algo que você não iria levar mais de 45 segundos. Olha, digo por experiência própria. Ja fiz transações eletrônicas em celular comum (não tô falando de smartphones) que instalam java, e são 2G. Quem tem conta em banco e acessa caixa eletrônico tem com certeza um celular assim.

E por que então as pessoas não fazem transação pelo telefone? Pura ignorância. Ou por acha que eh inseguro (como se você estivesse mais protegido na agência), ou por não conseguir usar o celular para tal fim. Seja como for, esses são exemplos banais, mas que somados entravam a todos nós.

Então, por que não temos "fome" de conhecimento. Por que são poucos que querem aprender? Por que a educação deve ser forçada, obrigada? Podíamos ter necessidade fisiológica de saber. Será que poderíamos criar um vírus, uma doença que nos debilitasse se não estudássemos?

domingo, 17 de abril de 2011

Carta Aberta à sociedade dos idiotas.

Todos nós temos dia em que estamos indignados com tudo. Nesses momentos, refletimos sobre todos os aspectos to cotidiano.

Fiquei com remorso em dar descarga, lavar vasilha, molhar a grama, com a preciosa água. Afinal o mundo eh coberto por 2/3 de agua né? Então pra que se importar? E o aquecimento global? Bobagem... eu tenho todo o conforto do mundo... nem percebo esse calorzão.

Não se sinta culpado por ser idiota. Afinal todos somos. Eu me incluo nessa massa. Mas tem dias que eu me revolto com essa situação.

Vamos olhar duas grandes fontes de fabricação de idiotices: a televisão e a internet. No Brasil ja não tínhamos muita saída. Mas agora até o programa Roda Vida, que tem um dos menores índices de audiência da tv brasileira (o que eh um sinal de bom gosto), mudou seu formato e agora eh conduzido pela atriz que se diz jornalista, Marília Gabriela. Então eh isso e ponto final. A maré da idiotice derrubou mais um baluarte. Ok, mas até a consagrada BBC também está nessa "onda". O premiadíssimo Discovery Channel está com uma programação lastimável, típico pinga-sangue! E na onda seguem o National Geographic e o History. O que antes era só o trabalho de trocar de canal, eh hoje um processo de garimpagem.

Fui recentemente ao cinema e vi quase consecutivamente dois filmes: Batalha de Los Angeles e Sucker Punch. Gosto não se discute, mas ofender a inteligência em detrimento da pura diversão descompromissada, eh outra coisa. O primeiro filme se comprometeu em mostrar uma perspectiva de uma invasão alienígena por parte dos militares. Uma ótica interessante, mas ridiculamente abordado num filme que quis ser sério. Não vou contar os detalhes da película, mas se colocassem o Steven Seagal ou o Van Daime como protagonista, saberia o que esperar e ficaria até descontraído. Mas muitos espectadores gostaram e se divertiram. Recomendaram e reviram o filme, que cumpriu seu objetivo: ser um blockbuster.

Já o segundo, no meu humilde ponto de vista, eh uma obra de arte pop do Zack Snyder. Mas no meio do filme, uma audiência de jovens começou a abandonar a sala... triste.... pois o filme exige que o espectador PENSE. Acho que eh pedir demais.

A internet nasceu nas mãos de sumidades, e eh hoje o próprio mar da ignorância. Eh como papel pega moscas. A informação está nela, logo os apedeutas vem na fonte. Se esses incautos tivessem tido estrutura intelectual para assimilar a informação, seria perfeito, pois teríamos uma resenha de ideias, maceradas como vinho, curtido no tempo em barris de carvalho. Na verdade temos reproduções de conteúdo pseudo-intelectual, que piora a cada cópia como uma xerox da xerox da xerox. No final a informação se degrada com num efeito entrópico. Aqui lanço defesa em prol do Google. Poderiam eles até serem os culpados dessa situação, mas entendo eu que a nobre missão do Google eh a indexação de toda a informação do planeta. Será que no fundo, o google não vise apenas o banal dinheiro e poder? Ou seriam aquela turma de Mountain Hill um bando de nerds hippies, se é que esse cruzamento possa existir? Essa empresa investe muito além da pesquisa na web. Há projetos para controlar os gastos com energia elétrica, e até a produção de veículos inteligentes. Se você compra um produto do Google, eles te dão autorização para literalmente fuçar neles sem perder a garantia. Que empresa te dá essa liberdade?

Hoje se fala muito de Facebook e ferramentas sociais. Além de ser um canal para oportunidades de negócios e até mesmo para levantes políticos, essas tais ferramentas são mais para perdermos nossos tempo com frivolidades. Mas mesmo assim gente que se diz formadores de opiniões dão uma hiper valorização ao papel do Facebook, dizendo que esse eh uma ameaça ao tipo de negócio do Google. Com certeza deve ser verdade, pois a sociedade dos idiotas precisa mais de uma ferramenta de procrastinação que uma de informação e pesquisa. Eu pergunto? Em que me faria falta o fim do Facebook? E para você?

Não vamos longe. A pesquisa cientifica no mundo todo virou um comércio. Posso ser leviano neste levantamento, mas com base no que sei do que leio nos diversos ramos acadêmicos, se somarmos toda a produção cientifica no mundo, creio que nem 2% realmente se prese a dizer que eh um trabalho sério, de vanguarda e que contribui com o avanço científico. O resto é o óbvio e ululante, só trivialidades. A produção científica deu um salto gigantesco nos últimos 20 anos, mas a qualidade é tremendamente questionável.

Por fim, é fato, o mundo vai acabar. O motivo não são esses que estão na mídia. A culpa é de nós idiotas. Não vamos fazer nada para mudar, porque idiota não pensa e muito menos gosta de mudanças. Estamos prestes a sediar uma copa do mundo. Para tanto precisamos investir em infra estrutura. Nós palhaços sabemos que isso só será feito bem próximo do evento, para honerar ao máximo os custos das obras e superfaturar tudo, e no final ficar meia boca, remendado, como sempre. Todo mundo sabe disso, mas ninguém vai fazer nada.
Todo mundo sabe tambem que o Planeta está ameaçado, mas quem eh que faz a sua parte? Eu não faço, não tenho subsídios para isso. A gente tem que investir tempo e dinheiro para sermos energeticamente (e socialmente) mais eficientes. Eu só posso chilicar como peixe fora d'agua. Então eh isso pessoal. Somos nós e mais duas gerações pra frente, no máximo. Portanto vamos sentar, abrir uma garrafa de uma boa bebida, e apreciar, pois deverá ser um belo espetáculo.

Bom, hoje estou revoltado, mas amanhã já estarei de bom humor e voltarei a ser mais um idiota. Me sentirei mais normal.